Francisco Xavier da Silva nasceu em 2 de abril de 1838, na fazenda de seus pais, localizada no município de Castro, então pertencente ao interior da Província de São Paulo. Era filho de David Antônio Xavier da Silva e de Generosa de Monte Carmelo Xavier.
Iniciou seus estudos em sua terra natal, completando a formação em Humanidades na cidade de Curitiba, capital da recém-criada Província do Paraná. Em 1860, graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na cidade de São Paulo.
Ao retornar ao Paraná, exerceu o cargo de intendente municipal — denominação da época para o atual prefeito — no município de Castro, nos períodos de 1877 a 1881 e de 1889 a 1891.
Em 1876, destacou-se também como Venerável da Loja Maçônica Fraternidade Castrense.
Defensor do regime republicano, adaptou-se com naturalidade à nova ordem política instaurada após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. De liderança local, ascendeu à esfera estadual, sendo eleito Presidente do Estado do Paraná em 1892.
Homem reservado e de hábitos simples, notabilizou-se por sua introspecção, o que lhe valeu o apelido de “O Monge”, utilizado tanto por aliados quanto por adversários políticos.
O Dia (PR) – 1923 a 1961.
Foi reeleito em 1900 e em 1908. Suas administrações são amplamente reconhecidas como exemplares em um período marcado por intensas instabilidades políticas, incluindo a Revolução Federalista, disputas territoriais com o estado de Santa Catarina — que culminariam, anos depois, na Guerra do Contestado —, e a difícil transição do sistema monárquico para o republicano no Brasil.
Administrador rigoroso e de perfil técnico, conduziu o Estado com austeridade, combatendo desperdícios e promovendo a eficiência na gestão pública. Um episódio emblemático de sua atuação ocorreu no início de seu segundo mandato, quando encontrou garrafas de champanhe escondidas no forro do Palácio. Ordenou a venda imediata das mesmas. Ao perceber que o valor arrecadado não constava nos registros oficiais, interpelou o almoxarife:
— As garrafas não eram suas, nem minhas, mas do Estado.
A receita de sua venda deve constar no relatório.
Outro fato notável deu-se em 1908, diante da crise financeira que resultou em atraso no pagamento de salários.
Xavier da Silva determinou que fossem priorizados os funcionários de menor remuneração.
Após algum tempo, o secretário da Fazenda apresentou-lhe seu próprio vencimento.
O presidente, com fina ironia, respondeu:
— Meu ordenado deverá ser o último a ser pago, em absoluto respeito à minha ordem.
Além de disciplinar as finanças públicas, fomentou o desenvolvimento industrial, incentivou a agricultura — especialmente o cultivo do trigo — e investiu fortemente na educação.
Criou e estruturou grupos escolares com métodos pedagógicos modernos, além de promover a construção de estradas, pontes e edificações públicas destinadas às instituições do Estado.
Durante seu primeiro mandato, licenciou-se por motivos de saúde, afastando-se da administração entre 18 de abril de 1893 e 14 de julho de 1894. Nesse intervalo, a presidência foi exercida pelo vice-presidente Vicente Machado, cuja gestão foi marcada pelos conflitos decorrentes da Revolução Federalista.
Em seu terceiro mandato, participou da articulação da chamada coligação republicana, que reuniu antigos rivais políticos — os chamados pica-paus e maragatos —, embora tal aliança tenha provocado críticas e o afastamento de importantes lideranças, como João Menezes Dória e Amazonas de Araújo Marcondes.
Aclamado por sua integridade e firmeza, consolidou-se como uma das principais lideranças políticas do Paraná. Foi eleito senador por seis legislaturas consecutivas, entre as décadas de 1910 e 1920.
Faleceu no exercício do mandato, na cidade do Rio de Janeiro, em 11 de junho de 1922.
Recebeu inúmeras homenagens póstumas. Dentre elas, destaca-se a renomeação do Grupo Escolar Modelo, fundado em sua gestão em 1904, que, em 1929, passou a se chamar Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva, em justa homenagem à sua trajetória pública e à sua dedicação ao Estado.
Hamilton Ferreira Sampaio Junior
Referênicas:
NICOLAS, Maria. O Paraná no Senado.Curitiba: Imprensa Oficial; 1978, 58p