Domingos Soriano da Costa, nasceu a 15 de Setembro de 1860,
Domingos Soriano da Costa nasceu em 15 de setembro de 1860, em um Paraná ainda em processo de afirmação territorial, política e institucional. Filho de José Miguel da Costa e Maricleia Joaquina Pedrosa, pertenceu a uma geração de homens públicos que compreenderam a política não apenas como exercício de poder, mas como responsabilidade histórica diante da terra e de seu povo.
Casado com Maria Joana da Costa, construiu uma trajetória marcada pela firmeza de princípios e pelo profundo compromisso com a coisa pública.
Sua atuação política destacou-se especialmente no âmbito municipal e estadual, onde seu nome se impôs como referência de liderança e de defesa dos interesses paranaenses.
Como camarista municipal e, posteriormente, prefeito interino, na vaga do Coronel Júlio Theodorico dos Santos, Soriano da Costa exerceu papel decisivo nos debates que moldaram o futuro de Paranaguá, sempre guiado por um patriotismo atento às consequências duradouras das decisões administrativas.

Commercial : Publicação Hebdomadaria (PR) – 1886 a 1888.
Em 1904, envolveu-se de forma direta na delicada e estratégica questão dos limites territoriais entre os estados do Paraná e de Santa Catarina. Em um momento em que a definição dessas fronteiras extrapolava a cartografia e tocava a soberania, a economia e a identidade regional, sua atuação revelou senso de Estado e lealdade incondicional ao Paraná.

Já no ano de 1906 esteve intermediando a doação de bancos de ferro para a praça Fernando Amaro.
Ao lado de outras lideranças políticas, participou das articulações e discussões que buscavam assegurar os direitos territoriais paranaenses, compreendendo que a defesa das fronteiras era também a defesa do futuro do Estado.

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Outro episódio emblemático de sua vida pública foi sua posição firme diante da implantação da luz elétrica em Paranaguá.
Longe de se opor ao progresso, Soriano da Costa destacou-se como um dos mais veementes críticos da forma como se pretendia realizar a venda e a concessão do serviço de iluminação elétrica da cidade. Enquanto camarista, posicionou-se com veemência contra acordos que julgava prejudiciais ao interesse público, defendendo que a chegada da modernidade deveria ocorrer sem comprometer o patrimônio municipal nem submeter a cidade a contratos lesivos ou pouco transparentes.
No ano de 1909 foi eleito no Club Litterario, Domingos Soriano da Costa, Presidente; João Rodrigues Viana, 1» Secretário; Henrique Gomes Veiga, Tesoureiro, porém não aceitaram os cargos.
Sua postura inscreve-se no debate mais amplo sobre modernização urbana e soberania administrativa, tão característico do início do século XX.

Almanach do Paraná : Commercio, Historia e Liiteratura (PR) – 1896 a 1929, edição 00110 pág. 0265.
Em 1908, integrou a Câmara Municipal durante a gestão de Theodorico Júlio dos Santos, período em que sua atuação política ganhou ainda maior projeção.
Foi camarista de Paranaguá no período de 1906-1907 e 1916-1922.
Presidente da Camara Municipal em 1920.
Mais tarde, em 1925, foi eleito deputado do Congresso Legislativo do Estado do Paraná pelo Partido Republicano, levando à esfera estadual a experiência adquirida nos embates locais e a defesa constante dos interesses paranaenses.
Além da política, Soriano da Costa exerceu funções de elevado valor cívico, como a presidência da Junta de Alistamento Militar de Paranaguá, em 1916, e o cargo de provedor da Santa Casa de Misericórdia entre 1923 e 1928, reafirmando sua presença ativa nas instituições que sustentavam a vida social e pública da cidade.
No plano privado, era reconhecido como chefe de família exemplar, cuja casa se tornava espaço de convivência, diálogo e reflexão. Ali, a política continuava, não como disputa, mas como extensão natural da conversa civilizada, da troca de ideias e do compromisso com o bem comum.

Assim, Domingos Soriano da Costa permanece na história do Paraná como um homem que soube enfrentar os grandes temas de seu tempo — a defesa do território, os dilemas da modernização urbana e a construção das instituições — deixando uma marca que ultrapassa o registro biográfico e se inscreve na memória política do Estado.
Em todos os acontecimentos sociais de Paranaguá — festejos, homenagens, recepções e nos fatos que engrandeciam o bom nome da cidade — seu nome figurava sempre, e com ele invariavelmente se contava: o Coronel Domingos Soriano. Quando Paranaguá se engalanava em grandes festas, como na tradicional Festa do Rocio, surgia sua figura atraente, cavalheiresca e cordial, típica daqueles velhos de têmpera antiga, oferecendo hospitalidade aos que buscavam, nos dias maiores, a simpática terra de Fernando Amaro.
A Santa Casa de Misericórdia constituía um monumento de orgulho para os corações parnanguaras. O Coronel Soriano fora, naquele hospital, um verdadeiro monumento de benemerência. Por vários biênios, a Provedoria da secular instituição teve como timoneiro o pulso firme, dirigente e organizador do Coronel Soriano.
“Dadivas avulsas” era o título bondoso que encobria a ação auxiliadora do Coronel Domingos Soriano. Sempre que o hospital atravessava períodos financeiros críticos ou necessitava completar recursos para manter suas atividades, surgiam as chamadas “Dadivas avulsas”, cuja origem ninguém conhecia, mas que, na verdade, ocultavam os óbulos generosos do Coronel Soriano, que aprendera com o Sublime Mestre: o que a mão direita faz, a esquerda não vê.
Falecido o ilustre varão social de Paranaguá, deixara excelente fortuna acumulada pelo próprio trabalho e operosidade. Não legara em testamento qualquer auxílio direto à Santa Casa de Paranaguá, instituição à qual devotara tanto amor. Entretanto, os seus herdeiros, cientes de tudo o que ele fizera pela Santa Casa e sabendo o quanto o saudoso cidadão estimava a benemérita instituição, certamente, em consagração à sua memória, não lhe negariam apoio nem se furtariam a gravar ali uma benfeitoria e um gesto de auxílio.
No desejo de realçar os nomes daqueles que se tornaram dignos pelo que fizeram em favor da coletividade, e despidos de qualquer interesse senão o de realizar a verdade histórica que decorre da vida de nosso querido Paraná, rendemos aqui o nosso culto de apreço à figura do varão patrício que, ao lado de tantos outros, tanto elevou o nome social de Paranaguá: o saudoso Coronel Domingos Soriano da Costa.
Faleceu em Paranaguá em 29 de março de 1940.

Hamilton Ferreira Sampaio Junior
Referências:
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My Heritage
VIANA, Manoel. Paranaguá na História e na Tradição: Paranaguá na História e na Tradição. 1. ed. [S. l.: s. n.], 1971.
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Arquivo Público do Paraná BR PRAPPR PB001 IIP787.57.
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