Thiago Pereira de Azevedo

hamilton |22 dezembro, 2025

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Thiago Pereira de Azevedo nasceu em 1862, em Paranaguá, filho de José Pereira de Azevedo e de Anna Antonia da Cruz. Homem de formação sólida, espírito público e reconhecida capacidade administrativa, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a ordem institucional, a vida cultural e o amparo social em tempos de profundas transformações políticas e econômicas.

Casou-se com Alayde Guimarães Carneiro em 27 de janeiro de 1890.

No ano seguinte, 1891, foi nomeado cônsul do Uruguai, função que revela o prestígio e a confiança que seu nome inspirava além das fronteiras locais.

No campo administrativo, exerceu cargos estratégicos como despachante-geral da Alfândega de Paranaguá e despachante especial da Companhia Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande, posições fundamentais para a economia portuária e para a integração do litoral paranaense aos grandes eixos comerciais do país.

Em 1893, ingressou na Guarda Nacional em Paranaguá, no posto de tenente, vindo posteriormente a assumir o comando da corporação.

Sua atuação militar ganhou especial relevância durante a Revolução Federalista, quando em janeiro de 1894, quando Paranaguá foi invadida e resistiu por seis dias Thiago viveu momentos de tensão e incerteza.

Alinhado à oficialidade legalista, Thiago Pereira de Azevedo destacou-se pela firmeza, equilíbrio e lealdade às instituições republicanas, atuando ao lado de nomes expressivos da vida política e maçônica da região.

Sua postura serena e disciplinada contribuiu para a manutenção da ordem em um período marcado por conflitos armados e instabilidade política.

Paralelamente à vida pública e militar, teve atuação destacada no campo cultural.

No Club Litterario de Paranaguá, exerceu o cargo de secretário em 1896, foi vice-presidente em 1901 e presidente em 1909. Sob sua liderança, o clube consolidou-se como espaço de sociabilidade intelectual, debate de ideias e promoção da cultura, desempenhando papel central na formação cívica da cidade.

No mesmo ano de 1896, foi nomeado escrivão da Coletoria de Paranaguá, função que exigia rigor técnico, honestidade e profundo conhecimento da administração pública. Como membro ativo do Partido Republicano, foi eleito camarista em 1899 e voltou a exercer o cargo entre 1912 e 1916, período em que assumiu, por diversas vezes, interinamente, a função de prefeito municipal. Nessas ocasiões, destacou-se pelo senso de responsabilidade, pela busca do consenso e pela atenção às demandas da população.

Sua sensibilidade social manifestou-se de forma concreta em sua atuação como secretário da Sociedade Protetora das Famílias de Paranaguá, em 1902, instituição voltada ao amparo dos mais vulneráveis. Demonstrava, assim, compreensão clara de que o progresso urbano deveria caminhar ao lado da solidariedade e da coesão social.

No campo associativo e moral, foi Venerável da Loja Maçônica Perseverança em 1903, conforme registrado pelo Diário da Tarde (PR). A maçonaria, à época, exercia papel relevante na difusão de valores como civismo, instrução e auxílio mútuo, princípios que Thiago incorporou de forma consistente ao longo de sua vida pública.

Participou ativamente da vida religiosa e das tradições locais, sendo, em diversos anos, “festeiro” das festas de Nossa Senhora do Rocio, reafirmando seu vínculo com a identidade cultural e espiritual de Paranaguá.

Também atuou na iniciativa privada como sócio-proprietário da alfaiataria Joaquim Pinto de Almeida & Cia., demonstrando visão empreendedora e compreensão da importância do comércio local para a vitalidade econômica da cidade.

Falecido em Paranaguá em 29 de julho de 1924, sua trajetória deixou marcas duradouras.

As instituições que ajudou a fortalecer — administrativas, culturais e associativas — foram fundamentais para que Paranaguá enfrentasse, nos anos seguintes, os impactos das crises econômicas e sociais do século XX. Seu legado é o de um homem que soube agir com equilíbrio em tempos de conflito, promover a cultura em períodos de mudança e compreender que a verdadeira liderança se constrói no serviço contínuo à coletividade.

Hamilton Ferreira Sampaio Junior

Referências:

SAMPAIO, Hamilton. ENTRE O COMPASSO E O ESQUADRO: Gênese das Lojas Maçônicas no Paraná entre 1830 e 1930. In: ENTRE O COMPASSO E O ESQUADRO: Gênese das Lojas Maçônicas no Paraná entre 1830 e 1930. 1. ed. Curitiba: Novagrafica, 2019. v. 1, cap. 1, p. 2. FILHO,

HISTÓRIA DA MAÇONARIA PARANAENSE NO SÉCULO XIX: HISTÓRIA DA MAÇONARIA PARANAENSE NO SÉCULO XIX. 1. ed. LONDRINA: Ruahgraf Gráfica e Editora Ltda, 2007. v. 1, cap. 1, p. 2. ISBN 8590725804, 978859072580.

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My Heritage

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