Contra a extinção do IPHAN
Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 1007/2026 de autoria do deputado Capitão Augusto (PL-SP), que propõe a extinção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Não se trata de uma simples reorganização administrativa — trata-se de um ataque direto à memória, à cultura e à identidade do Brasil.
A justificativa apresentada — uma suposta economia de R$ 180 milhões — não resiste a uma análise mínima. Os servidores serão remanejados. Ou seja, não há economia real. O que existe é o esvaziamento deliberado de uma instituição técnica, autônoma e historicamente comprometida com a proteção do patrimônio nacional.
É desmonte, não gestão.
O IPHAN não é um órgão qualquer. É uma instituição de Estado que, há décadas, protege o que o Brasil tem de mais valioso: sua memória. Cada bem tombado, cada sítio arqueológico preservado, cada centro histórico protegido representa não apenas o passado, mas a própria base sobre a qual se constrói o futuro de uma nação. Destruir o IPHAN é romper esse elo.
A proposta revela uma mentalidade perigosa e atrasada, que enxerga a cultura como obstáculo e o patrimônio como entrave. É a lógica do lucro imediato sobre a memória coletiva, da especulação sobre a história, do apagamento sobre a identidade. Países sérios investem na preservação de seu patrimônio. Aqui, cogita-se eliminá-lo.
Sem o IPHAN, abre-se caminho para a devastação silenciosa: cidades históricas descaracterizadas, patrimônios abandonados, sítios arqueológicos destruídos, decisões técnicas substituídas por interesses políticos e econômicos.
O que está em jogo não é apenas a gestão de um órgão — é a integridade da história brasileira.
Extinguir o IPHAN é mais do que um erro: é um retrocesso inaceitável, um gesto de desprezo pela inteligência, pela cultura e pela própria ideia de nação.
Não podemos assistir a isso passivamente.
Defender o IPHAN é defender o Brasil.
Preservar é resistir.