Annibal Ribeiro Filho

hamilton |09 fevereiro, 2026

Blog | Rastro Ancestral

Annibal Ribeiro Filho

 

Um dia há de chegar

Um dia há de chegar em que eu, velhinho,

No fim da vida, trêmulo e cansado,

Hei de, absorto, reler devagarinho,

O livro do destino e do passado,

E os espectros verei, com que carinho,

Do bem, do amor, do sonho e lado a lado,

A encher dê mágoa o coração sozinho,

Do sofrimento o espectro malsinado,

O bem, o amor, o sonho, as ilusões,

Tudo haverá passado, incompreendido,

Restando apenas, rudes decepções,

E hei de fechar os livros, entristecido,

Vendo, ante a ronda das desilusões,

Que não valeu a pena ter vivido…

Annibal Ribeiro Filho 1950, jornal “O Dia”.

 

 

Imagem fornecida por seu sobrinho neto Ivan Lapolli Filho, 2026.

Annibal Ribeiro Filho nasceu em 7 de fevereiro de 1906, em Paranaguá, filho de Annibal Ribeiro e da Sra. Albertina Soares Ribeiro,  na residência de seus avós maternos, na Rua XV de Novembro, 17 e foi batizado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário em 13 de outubro do mesmo ano.

Casou-se com a Sra. Paulina Rocha do Amaral Ribeiro (Filha de Homero do Amaral e Hilda Munhoz da Rocha) cuja cerimônia foi na cada do Dr.Vitor Ferreira do Amaral em Curitiba  em 4 de abril de 1936, com quem teve duas filhas – Hilda e Vera Beatriz. Caetano e Hildefonso Munhoz da Rocha foram seus padrinhos de casamento.

Brasil, Paraná, Registro Civil, 1852-2017″, FamilySearch (https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:622Y-VYPZ : Sun Mar 10 18:19:30 UTC 2024), Entry for Annibal Ribeiro Filho and Annibal Ribeiro, 4 Apr 1936.

Sua filha Hilda faleceu ainda criança, e Vera Beatriz casou-se com o Sr. Orlando Langowski, tendo dois netos: Gustavo e André.

Frequentou a escola primária no Colégio São José em Paranaguá de 1912 a 1915.

Estudante do Colégio Salesiano Santa Rosa em Niterói, colou grau em 25 de Novembro de  1924, com a titulação de bacharel em Ciências e Letras. Em 1925, após ser aprovado no vestibular, ingressa na faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, onde teve como colegas Victor Lobo e Antônio Fontes que viria tornar-se seu cunhado. Formou-se em medicina no ano de 1930.

O Colégio Salesiano Santa Rosa foi fundado em 14 de julho de 1883, a pedido do Bispo Dom Pedro Maria de Lacerda no Rio de Janeiro, quando o Padre Luís Lasagna acolheu o primeiro grupo de Salesianos para uma missão.

Ao enfrentar resistência local na forma de epidemias de febre amarela que varreram o Rio de Janeiro na época, a escola foi instalada no bairro de Santa Rosa, em Niterói, com 10 crianças matriculadas como ponto de partida.

Mas tornou-se bem conhecida por sua educação extensiva e pelo perfil de sua juventude na comunidade.

Annibal matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro em 1925 e formou-se em 1930.

Tornou-se diretor médico do Departamento Municipal de Higiene de Paranaguá em 1931, cargo que ocupou em 1931 e 1932.

Conta nos os periódicos da época que o Jovem Doutor era inflexível nas questões sanitárias, uma certa vez, em uma residência na Rua Vieira dos Santos o proprietário alugou a casa sem os cuidados de higiene que eram impostos pelo poder público, omitindo que moradores anteriores haviam morrido de moléstia, aí então sabendo o Doutor Anibal, como Diretor de Higiene do município, deu 3 dias para os moradores deixarem a casa e ainda multou o proprietário pela omissão.

Nesta mesma época escreveu um manual de condutas para o cemitério municipal, regras para enterramento, higiene e etc.

Começou seu trabalho como médico do Mutualismo da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande em Paranaguá em 1932.

Começou a trabalhar como médico do Fundo de Aposentadoria dos Ferroviários em 1934. Trabalhou por 8 anos como médico na Santa Casa de Paranaguá de 1934 a 1942 no cargo de Diretor Clínico, publicando inúmeras obras explicando como a medicina popular diferia da medicina tradicional, algo pelo qual sempre foi fascinado, as complexidades do mundo que tais distinções carregam consigo.

De 1942 a 1952, foi médico do Instituto de Aposentadoria para empregados de transporte e carga como chefe do Serviço Médico por vários anos.

Também participou dos serviços médicos do Instituto dos Bancários, do Instituto dos Marinheiros e da Federação dos Pescadores.

Também se tornou médico do Instituto de Aposentadoria dos Ferroviários e Empregados do Serviço Público (IAPFESP) de 1932 até se aposentar em 1967.

Atuou como médico particular em Paranaguá, Morretes, Antonina e no litoral.

Foi médico particular e consultor do Asilo São Vicente de Paula, do Lar Hercília de Vasconcelos, do Asilo dos Idosos em Paranaguá e da Sala Bancária da Santa Casa de Misericórdia.

Também atuou sem remuneração na zona militar da 5ª Região Militar, contribuindo para uma equipe médica responsável por avaliações de saúde de candidatos militares e candidatos do Tiro de Guerra 99.

Trabalhou para serviços voluntários à Polícia Civil e Marítima, fornecendo investigações forenses para esta última.

Participou do conselho do “Clube dos Vinte” e do “Clube Olímpico”, dos quais foi membro fundador.

No ano de 1937 fez parte como fundador e também como um dos diretores do então recém-criado Clube Olímpico de Paranaguá.

Periódico “O Estado” de 11 de junho de 1937, edição 00247 pág. 02.

Atuou na Comissão Organizadora do Centro Médico de Paranaguá, da Sociedade Amigos de Paranaguá e da Sociedade Amigos do Museu de Paranaguá.

Também atuou como membro fundador e presidente por 10 anos do Centro Literário Leôncio Correia em Paranaguá.

Foi vice-presidente do Centro Cultural Luso-Brasileiro, do qual foi membro fundador.

Foi membro fundador da Aliança Francesa – Seção Paranaguá, onde atuou como membro do conselho.

Também foi membro fundador do Instituto Histórico de Antonina e do Instituto Histórico de Ponta Grossa.

Atuou como presidente da filial regional litorânea da Associação Médica do Paraná duas vezes.

Foi muito ativo no “Club Litterario de Paranaguá”, e ex-diretor social (1942-1944) e presidente (1946-1948).

Participou do conselho do Instituto Histórico de Paranaguá e apareceu como diretor do Museu Histórico de Paranaguá.

Montou o ‘Gabinete de Curiosidades’ no IHGP.

Segundo seu sobrinho-neto, era um homem que recebia muitos presentes em suas consultas e também trocava consultas médicas por objetos antigos; em essência, acredita-se que ele foi o maior doador para a coleção do instituto.

Ele foi membro do Conselho Municipal de Cultura de Paranaguá, nomeado por decreto para um mandato de seis anos, tendo atuado como vice-presidente e presidente.

Também foi membro da Sociedade dos Amigos da Música de Paranaguá, onde ocupou cargos na diretoria.

Participou da Comissão de Folclore do Museu de Arqueologia e Artes Populares de Paranaguá, parte da Universidade do Paraná.

Foi membro do Country Club de Paranaguá, do Clube Íris e do Clube Miosótis.

Presidiu o Tiro de Guerra 99 por três anos.

Ativista político durante o período do antigo Partido Republicano do Paraná, fez parte da diretoria em Paranaguá, mas recusou a indicação para deputado estadual porque não podia deixar suas atividades profissionais.

Ele lecionou, dando aulas de francês no Curso de Maturidade na Escola Paroquial. Apaixonado por línguas, dedicou-se ao estudo de alemão, francês, italiano, espanhol e japonês — conhecimento que muito contribuiu para melhores relações humanas na profissão médica, bem como na leitura e viagens.

Integrou várias instituições culturais e acadêmicas, como o Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, o Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico do Paraná, o Instituto Histórico e Geográfico de Antonina, o Instituto Histórico e Geográfico de Ponta Grossa, o Centro de Letras Leôncio Correia de Paranaguá, o Centro de Letras do Paraná, a Academia José de Alencar de Curitiba, a União dos Trovadores do Brasil e a Sociedade dos Escritores Médicos do Brasil, afiliada à Sociedade Internacional com sede em Paris.

Foi membro benemérito do Clube Republicano de Paranaguá e membro honorário do Clube Literário de Paranaguá.

Foi diretor perpétuo do museu do Instituto Histórico.

Obras publicadas:

*“Conceito Social e Impacto Regional de Paranaguá no Início do Século XVIII” — uma palestra da turma de extensão universitária da Faculdade de Filosofia de Paranaguá, 1965. *”Paranaguá na História de Portugal (1648-1822)” — história, publicada em 1967.

‘*”Poemas” — uma coleção de sonetos e poemas, publicada em 1968.

*”História do Clube Literário” — um século de tradição, I Centenário (1872-1972), publicado em 1972.

* “D. Pedro II em Paranaguá” — em comemoração ao sesquicentenário de D. Pedro II, publicado em 1975.

*“A Família Imperial Brasileira” — também em comemoração ao sesquicentenário de D. Pedro II, 1975.

* “História de Nossa Senhora do Rocio” — lendas, tradição, história e culto da devoção tricentenária do Paraná, em 1977.

*”O Verso Brasileiro Mais Belo” — uma edição separada do Jornal do Centro de Letras de Paranaguá, 1977. Inéditos: “Notas de Viagem”, “Discursos e Palestras”, “O Pelourinho de Paranaguá” (uma contribuição à história local), “Imprensa de Paranaguá (1860-1977)”, um complemento às obras de Romário Martins (1860-1907) e Osvaldo Pilotto (1860-1947), além de inúmeras conferências e discursos sobre religião, filosofia, história, literatura e folclore, publicados esporadicamente.

Encontrou em uma base de uma cruz de ferro a base original do pelourinho, descobriu por que levava consigo um papel com as medidas originais da base, recuperou a base original do pelourinho.

Na imprensa, seu trabalho foi publicado tanto por escrito quanto no rádio.

Ele esteve envolvido nas publicações das revistas “A Marinha” e “O Itiberê” de Paranaguá. Foi membro da “Poliantéia” com a qual comemorou o centenário da Santa Casa e o “Álbum Tricentenário de Paranaguá”.

Contribuiu para a revista “Juriy” e a revista portuária, e para os jornais “Diário do Comércio”, “O Imparcial”, “Voz do Estudante” e “Ação”, todos de Paranaguá.

Foi editor na revista “Prata da Casa” de Curitiba e editor nas publicações do Centro de Letras e do Instituto Histórico de Paranaguá, onde atuou como membro ativo de comitês editoriais por vários anos.

Mantinha contato com a família imperial brasileira, através de suas pesquisas.

Também trabalhou com os “Cadernos de Artes e Tradição”, publicados pelo Museu de Arqueologia de Paranaguá. Junto com Ada Macaggi Bruno Lobo, foi representante da poesia de Paranaguá na “Coleção de Sonetos Regionais”, editada por Leocádio Correia em 1928. Foi incluído na “Antologia Paranaense”, editada por Alcebíades Plaisant em 1938, como um dos poetas do Paraná; também apareceu na coleção “Sonetos do Paraná” que foi coordenada em 1953 por Rodrigo Júnior e Léo Júnior e no Dicionário Biográfico Brasileiro, editado pelo Professor Leônidas Boutin em 1971.

E foi conhecido também como um dos trovadores do Paraná no “Torneio de Trovadores” pela edição do Conselho Municipal de Paranaguá.

Sem dúvida um dos gigantes de Paranaguá.

Faleceu em 23 de junho de 1988.

Hamilton Ferreira Sampaio Junior

Ivan Lapolli Filho

Referências:

Revista  “RUMO PARANAENSE”

GOMES, A. C.; LIPPI, L.; TRAVASSOS, E. Um século de tradição: a Banda de Música do Colégio Salesiano Santa Rosa de Niterói (1888–1988). FGV‑RJ, 2005.

Wikipédia

Family Search

BRASIL. Paraná. Registro Civil, 1852-2017. Entry for Annibal Ribeiro Filho and Annibal Ribeiro, FamilySearch, 4 abr. 1936. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:622Y-VYPZ. Acesso em: 10 mar. 2024.

O Estado (Curitiba). Edição 00247, 11 jun. 1937, p. 2.

whats | Rastro Ancestral