Fidêncio Lemes do Prado

hamilton |10 novembro, 2025

Blog | Rastro Ancestral

Fidêncio Lemes do Prado

Começo esta história evocando o Museu Histórico do Rio de Janeiro, criado em 1922, sob o governo de Epitácio Pessoa. Um ano depois, suas salas já se enchiam de relíquias, e o ar parecia guardar o perfume dos tempos antigos. Era um abrigo para memórias e para os que as veneravam.

Certo dia, o diretor do museu recebeu a visita de um velho homem. Era magro, esguio, de modos simples e olhar sereno. Trazia debaixo do braço um embrulho, que segurava com o mesmo cuidado de quem segura um segredo. Cumprimentou o diretor, sentou-se ao seu lado e, com voz calma, apresentou-se:

— Sou o tenente Fidêncio Lemes do Prado, veterano da Guerra do Paraguai. Entrei em Assunção com meu batalhão, quando o senhor Marquês — assim ainda chamava o Duque de Caxias, como se o tempo não tivesse passado — a ocupou.

Contou que fora designado para guardar o palácio do ditador Solano López. Ali, no gabinete do inimigo, viu algo que lhe cortou a alma: uma bandeira imperial, servindo de tapete. Disseram-lhe que pertencera ao vapor Marquês de Olinda, o mesmo capturado nas águas do Paraguai, quando a guerra começava a se desenhar.

— Apanhei-a — disse ele —, limpei-a e guardei comigo. Trouxe-a de volta ao Brasil quando terminou a luta. Desde então, essa relíquia me acompanha. Mas estou velho… à espera da morte, mais dia, menos dia. Não tenho a quem confiá-la. Soube da criação deste museu e achei que aqui ela poderia repousar, guardada com o respeito que merece.

O velho pretendia entregá-la ao Conde d’Eu, o “Marechal da Vitória”, mas a vida não lhe deu tempo. E assim, a bandeira do Marquês de Olinda encontrou seu abrigo: uma caixa envidraçada, à prova de umidade, em lugar de honra entre os troféus da nação.

Desde então — conta-se —, todo 5 de janeiro, data da ocupação de Assunção pelo Exército Imperial, um homem idoso atravessava em silêncio o pátio do museu. Deixava o chapéu na portaria, caminhava entre canhões antigos, subia a escadaria do primeiro andar e parava diante da bandeira. Diante dela, perfilava-se e prestava continência.

Os guardas já o conheciam. Assistiam à cena em silêncio, como se presenciassem um rito sagrado. O gesto era o mesmo, ano após ano — simples, solene e comovente.

E assim, entre o mármore de Dom Pedro II e o pano gasto de uma antiga bandeira imperial, o velho tenente Fidêncio Lemes do Prado continuava, sozinho, a guardar a memória de um Brasil que não se deixava esquecer.

“Esse foi o episódio mais comovente que presenciei em minha longa permanência à frente deste Museu — disse o Diretor.
Confesso que, na defesa do seu patrimônio, muitas vezes não tenho desanimado ao lembrar-me da lição de fidelidade patriótica daquele velho soldado: pobre, humilde, ignorado, e que se comprazia em cultuar a pátria imortal no respeito ao símbolo daquele velho pedaço de pano verde e amarelo — sem esperar galardões ou elogios.

Certa vez, um dos antigos guardas do Museu procurou-me, visivelmente emocionado, e disse:
— Senhor Diretor, neste ano, no dia 5, o velhinho não veio fazer continência à bandeira…

Senti uma lágrima queimar-me as pálpebras, pois estava certo de que somente a morte impediria o Tenente de homenagear a bandeira do Marquês de Olinda.
Ele morrera como vivera: singelamente, obscuramente — um herói que, à semelhança do Flambeau de L’Aiglon, poderia afirmar que o seu ato de reverência era “du luxe”, um luxo do espírito, um luxo de alma nobre, um luxo de um coração cheio de verdadeiro patriotismo e de genuína brasilidade.

Na minha opinião, o Tenente Fidêncio Lemos do Prado foi um Grande Brasileiro.”

Essa narrativa comoveu-me profundamente, como há de comover todos os brasileiros que a lerem.
Tive ímpetos de beijar a mão do modesto, mas glorioso veterano, que soubera guardar, por tantos anos, com devoção, aquele abençoado pedaço de pano.

Dr. Gustavo Barroso
Diretor do Museu Histórico

Relato do Tenente Fidêncio Lemos do Prado:

“Quando o Exército Brasileiro entrou na cidade de Assunção, capital do Paraguai, no dia 5 de janeiro de 1869, sob o comando do General Osório, não encontramos ninguém. A cidade estava deserta.

Depois que nos aquartelamos, convidei o mestre de música Clarimundo José da Silva e o corneteiro-mor Antônio Roberto para nos dirigirmos ao palácio do ditador López.
Ali chegados, penetramos no interior — não com a ideia de sangue, mas para apreciarmos a beleza do edifício, que pela sua imponência nos chamara a atenção.

Encontramos, em um compartimento, um grande arquivo velho, contendo muitos papéis de música. O mestre de música e o corneteiro-mor entretiveram-se em escolher algumas partituras, enquanto eu segui para o último andar, acabando por entrar em um gabinete que era o escritório do ditador.

Ali encontrei uma bandeira imperial brasileira estendida no assoalho, diante da cadeira do referido ditador, servindo-lhe de tapete.
Levantei-a e levei-a comigo. Seriam, talvez, quatro horas da tarde.”

Fidêncio Lemes do Prado nasceu em 21 de setembro de 1844, na então Vila de Curitiba, atual capital do Estado do Paraná. Era filho legítimo de João Lemes do Prado e de Dona Rosa Bandeira, e neto paterno de Francisco Lemos do Prado, natural do Estado de São Paulo, e materno de João Nepomuceno Pinto Brandão, natural de Portugal.

Apresentou-se como voluntário para a Guerra do Paraguai aos 21 anos, 4 meses e 4 dias, no dia 25 de janeiro de 1865, ao então presidente da Província, Manuel Alves de Araújo. Ficou aquartelado juntamente com os demais voluntários que também haviam se apresentado. Fizeram parte desse contingente os irmãos 1º Tenente Cristiano Pletz (maçom iniciado em 22 de setembro de 1868 na Loja Philantropia Guarapuavana) e 2º Tenente Francisco Pletz (também iniciado na mesma data e loja), além do 2º Tenente João Pichetti, mestre de música da polícia, Clarimundo José da Silva e Antônio Roberto, corneteiro — estes dois últimos convidados por Fidêncio Prado.

O comando do grupo foi assumido pelo 1º Tenente Antônio João de Lira Flores, oficial honorário do Exército. O contingente permaneceu aquartelado, realizando exercícios na Escola de Tiro até o dia 1º de março. No dia 2 do mesmo mês, marcharam para Antonina, onde embarcaram rumo ao Rio de Janeiro. Ao chegarem, foram aquartelados no Campo de Santana. Nessa ocasião, foi criado o 4º Batalhão de Voluntários, ficando aquele contingente designado como a 1ª Companhia do referido corpo.

Fidêncio Lemes do Prado foi também integrante da Loja Maçônica Estrela de Imbituva, a qual instituiu, em sua homenagem, uma condecoração destinada aos maçons que prestarem relevantes serviços à sociedade.

Fé de Ofício

José Maria Ferreira de Assunção, oficial da Imperial Ordem da Rosa, cavaleiro da mesma e condecorado com as medalhas de prata das Campanhas do Uruguai e Buenos Aires (1852), da Campanha do Uruguai (1865), do combate de Jataí, da rendição de Uruguaiana e com a de Mérito Militar — Major da Arma de Infantaria e comandante interino do 27º Corpo de Voluntários da Pátria — atestou o seguinte:

“O oficial abaixo declarado possui nos arquivos deste corpo os seguintes assentamentos:

Quarta Campanha — O alferes Fidêncio Lemes do Prado foi incluído neste corpo em 8 de março de 1865, vindo da Província do Paraná como furriel. Embarcou em 9 de abril e desembarcou em Montevidéu no dia 19; embarcou novamente em 7 de maio e desembarcou em São Francisco do Uruguai no dia 11.

Em 1º de junho, embarcou outra vez e desembarcou em Damião no dia 2. Baixou ao hospital em 15 do mesmo mês e teve alta em 24 de setembro, sendo adido ao 6º Batalhão de Infantaria. Apresentou-se a esse corpo em 24 de outubro e pediu baixa de posto em 3 de novembro do mesmo ano.

Transpôs o Rio Paraná em 16 de abril de 1866, assistindo aos combates desse e do dia seguinte, bem como aos de 2 e 20 de maio. Tomou parte na Batalha de 24 de maio, na qual foi ferido. Participou ainda dos combates de 16 e 18 de julho de 1867 e teve alta em 3 de maio. Marchou de Tuiuti para Tuiucuê em 20 de julho, tomando parte nos combates desse dia.

Baixou ao hospital em 13 de janeiro de 1868 e teve alta em 17. Tomou parte no assalto à trincheira de Sauce, em 21 de março. Foi promovido a anspeçada em 9 de junho, marchou de Curupaiti para Humaitá em 25 de junho e novamente em 18 de agosto, acampando em 24 de setembro em Palmas.

Transpôs o Rio Paraguai para a margem direita em 25 de novembro, retornando à margem esquerda na noite de 21 de dezembro. Tomou parte nos combates de 22, 25 e 27 — todos em Lomas Valentinas — e presenciou a rendição da guarnição de Angostura em 30 do mesmo mês.

Marchou em 31 de dezembro de 1868 e acampou em Assunção em 5 de janeiro de 1869. Prosseguiu a marcha até Luque em 10 de março e, depois, a Lambaré em 6 de abril. Participou dos reconhecimentos de 26 de abril em Ascurra e de 3 de junho no Cerro León.

Foi promovido a cabo em 1º de julho e a furriel em 19 do mesmo mês. Expedicionou com a 1ª Divisão de Cavalaria em 28 de julho e reuniu-se ao Exército em 7 de agosto, acampando nas proximidades da Vila de Perobebui no dia 10. Participou do assalto a essa vila no dia 12 e da Batalha de Nheenguaçu no dia 16.

Em 30 de agosto, acampou na margem esquerda do Rio Manduvirá, embarcando em 9 de setembro e desembarcando em Checutaguá. Embarcou novamente em 20 e desembarcou em 21 na Vila do Rosário. Foi promovido a 2º sargento da 7ª Companhia em 1º de outubro.

Marchou em 8 e acampou no Capivari em 17, regressando em 11 de novembro e acampando novamente na Vila do Rosário no dia 14. Em 25 de fevereiro de 1870, embarcou para Humaitá, onde desembarcou no dia 27.

Foi elogiado em ordem do Comando das forças ao norte do Rio Manduvirá, em 24 do mesmo mês, por haver, com valor, abnegação e constância, defendido a honra nacional, suportando as fadigas de cinco anos de campanha.

Em virtude da recomendação do Comando em Chefe, foi comissionado no posto de alferes em 6 de abril, permanecendo na 4ª Companhia. Embarcou em Humaitá, no vapor Villeta, em 16, e desembarcou na Corte do Império em 30 de abril.

Por decreto de 7 de maio, foram-lhe concedidas as honras do posto de alferes do Exército, em atenção aos relevantes serviços prestados na Campanha do Paraguai.

Foi dispensado do serviço do Exército em 17 de maio de 1870, em virtude da dissolução do 27º Corpo de Voluntários da Pátria, conforme ordem do Governo Imperial nº 214 da mesma data.

Nada mais consta em seus assentamentos.”

Quartel-General de São Cristóvão, 18 de maio de 1870.
Assina: Joaquim Martins de Sousa Martins, Tenente-Secretário.
(Assinado) José Maria Ferreira de Assunção, Major Comandante Interino.

Epílogo

(Da “Gazetilha” do Jornal do Comércio, de 13 de setembro de 1922.)

A preciosa bandeira repousa recolhida no Museu Histórico, onde permanece cuidadosamente guardada. Durante alguns anos, o bravo tenente Fidêncio Lemes do Prado costumava visitar o museu nas datas aniversárias da entrada triunfal do Exército Brasileiro em Assunção. Viajava com dificuldade desde sua longínqua Imbituva.

Ao chegar, dirigia-se à Sala Duque de Caxias, onde se encontra exposta a sagrada relíquia. Perfilava-se, batia continência e permanecia alguns instantes diante dela, em comovido silêncio. Depois, retirava-se discretamente.

Nunca mais apareceu.

Foi dormir o sono tranquilo dos justos — daqueles que souberam amar e defender a sua Pátria.

 

A 1ª Companhia de Paranaenses foi formada no mês de fevereiro de 1865, composta por 75 praças e 3 oficiais, sendo seus integrantes, em grande parte, voluntários oriundos da Companhia da Força Policial do Paraná.

Entre eles, destacavam-se 13 policiais militares que haviam se apresentado espontaneamente no dia 26 de janeiro. Dentre esses primeiros voluntários figuravam:

  • Músico Clarimundo José da Silva
  • Corneteiro Antônio Roberto
  • Soldado Fidêncio Lemos do Prado

Esses foram os primeiros voluntários procedentes de Curitiba, pois os demais que vieram a compor a Companhia só se alistaram nos meses de fevereiro e março de 1865.

Destaques de Policiais Militares na Guerra do Paraguai

Clarimundo José da Silva
Foi um dos primeiros voluntários a seguir para o Paraguai. Diante da ausência de corneteiros no Batalhão de Voluntários da Pátria, o coronel Pinheiro Guimarães sugeriu que Clarimundo treinasse o ouvido da tropa ao som do pistão. O comandante quis nomeá-lo corneteiro-mor, mas ele recusou a promoção e partiu como simples soldado.

Esteve nas batalhas de Tuiuti e da Dezembrada. Foi vítima de epidemias, como a cólera e a varíola, mas sobreviveu. Regressou ao Brasil com a patente de sargento e o peito coberto de medalhas — entre elas, 27 condecorações e a Medalha de Campanha com o passador nº 5.

Ao retornar, foi nomeado Mestre da Banda de Música da Polícia Militar do Paraná.

Fidêncio Lemos do Prado

Em 25 de janeiro de 1865, Fidêncio Lemos do Prado apresentou-se como voluntário para servir na Guerra do Paraguai, sendo incorporado, em 8 de março do mesmo ano, à 4ª Companhia do 27º Corpo de Voluntários da Pátria.

Participou dos combates de 22 e 24 de maio, nos quais foi ferido, e esteve presente em diversas batalhas, entre elas Tuiuti, Tuiaqué, Salce, Curupaiti, Humaitá, Lomas Valentinas, além da redenção de Angostura e de Assunção.

Foi elogiado em Ordem do Dia pelo comandante das forças de Manduvirá, por haver suportado, com valor, abnegação e constância, as fadigas de cinco anos de campanha no Paraguai.

Em 7 de maio de 1880, foi-lhe concedida a honra do posto de alferes do Exército, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados durante a guerra.

O bravo e patriótico curitibano residia, em 1922, na cidade de Imbituva/PR, onde era estimado e respeitado por todos. Apesar da idade avançada, mantinha-se forte, conservando a vivacidade e o ardor patriótico de sua mocidade.

Fidêncio Lemos do Prado, que serviu na Polícia Militar por dois meses e sete dias, faleceu com as honras do posto de major do Exército Brasileiro.

Um “Amor” em Imbituva

Joaquim Gaspar Teixeira foi um dos fundadores de Imbituva. Conheceu a região devido ao seu trabalho como tropeiro e aqui se estabeleceu com a esposa e as filhas — entre elas, Mariana Gaspar. É a partir dessa família que começamos nossa história.

Já era noite quando o Major Fidêncio Lemos do Prado passava pela região conhecida como Campos do Cupim, onde hoje se localiza Imbituva. Ao longe, avistou o que parecia ser uma grande festa. Joaquim Gaspar Teixeira comemorava o noivado de sua filha mais velha, América, e, ao ver os tropeiros se aproximando, convidou-os a permanecer ali.

O que Joaquim Gaspar não sabia era que Fidêncio Lemos do Prado era, na verdade, um herói de guerra — responsável por resgatar, em 5 de janeiro de 1869, a bandeira imperial do Brasil que havia sido usada como tapete por Solano López, ditador paraguaio. Fidêncio lutou bravamente na Guerra do Paraguai e, segundo Maria Silvana Prado, bisneta do Major, ele era amigo e confidente de Dom Pedro II.

Joaquim e Fidêncio tornaram-se grandes amigos e, não raras vezes, encontravam-se em Curitiba, importante região de comércio de gado. Certa vez, antes de sair para mais uma viagem, Joaquim Gaspar perguntou às filhas o que desejavam que ele trouxesse de presente. América, a mais velha, pediu ao pai um colar de ouro; já a mais nova, Mariana, fez um pedido inusitado — disse ao pai que desejava um jovem para ser seu futuro marido.

Mais uma vez Joaquim encontrou Fidêncio em Curitiba. Após dias de negociações, não conseguiu vender seu gado, então pediu a Fidêncio que o fizesse em seu lugar e, depois, retornasse à fazenda nos Campos do Cupim. Tempos depois, o Major voltou a Imbituva trazendo consigo o dinheiro da venda e também o colar de ouro de América.

Fidêncio passou alguns dias na fazenda do amigo e conquistou não apenas a admiração do tropeiro, mas também o coração de uma pessoa em especial: Mariana. Dias depois, Joaquim chamou a filha mais nova para uma conversa e disse a ela que não havia esquecido de seu pedido — um jovem rapaz para se casar. Então revelou que Fidêncio seria o homem destinado a ser seu futuro marido.

O amor de Fidêncio e Mariana já se manifestava nos olhares trocados e, com a bênção do pai, tornou-se ainda mais forte. Contudo, o Major precisou ausentar-se da fazenda para resolver assuntos pessoais, deixando Mariana. O casal só se reencontrou algum tempo depois, quando Fidêncio retornou para o casamento de América.

Percebendo que ambos nutriam o desejo de ficarem juntos, Joaquim Gaspar Teixeira autorizou o casamento de Mariana e Fidêncio, que se uniram no mesmo dia em que América, a irmã mais velha, casou-se com Jorge Zattar.

Segundo a bisneta do Major, Silvana Prado, o bisavô renunciou à vida de oficial e à tarefa de servir como guarda pessoal de Dom Pedro II em nome do amor que sentia por Mariana. O casal construiu sua vida em Imbituva, onde participou ativamente da comunidade.

Jornal o Dia 24 de Maio de 1942.

 

Homenagens em Curitiba

Mais duas praças serão entregues, neste mês, pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Na quinta-feira, o prefeito Jaime Lerner inaugurará a Praça Fidêncio Lemos do Prado, em homenagem ao major curitibano reconhecido como herói da Guerra do Paraguai.
A praça está localizada na Avenida Victor Ferreira do Amaral, esquina com a Rua Monte Castelo, no Alto da XV, em frente ao Laboratório Prado, que deverá realizar a manutenção do local por meio de um convênio de cooperação a ser firmado com a Prefeitura.

Lamentavelmente a placa comemorativa foi roubada.

A Bandeira do “Marques de Olinda”

PRISÃO DO VAPOR MARQUES DE OLINDA – 12 DE NOVEMBRO 1864.

Diário do Rio de Jan. 27 Jan de 1866.

Ao tratarmos do primeiro ato de hostilidade oficial entre o Paraguai e o Brasil, destaca-se o episódio do aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, de sua tripulação e do coronel Frederico de Campos, que seguia para assumir a Presidência da Província de Mato Grosso.

As fontes bibliográficas sobre o fato são escassas e apresentam algumas divergências quanto às informações e à data do ocorrido — tanto nas mídias escritas quanto nos documentários em vídeo.

Para fins didáticos, adoto a data de 12 de novembro de 1864.

Ao leitor, estudioso, pesquisador ou historiador, fica em aberto a análise desses acontecimentos.

Como os relatos costumam aparecer de forma fragmentada ou inseridos em um contexto mais amplo, optei por disponibilizar diversos trechos, permitindo que o leitor complemente o estudo assistindo aos vídeos documentários correspondentes.

Histórico

Marques de Olinda

O Vapor Marquês de Olinda

O vapor brasileiro Marquês de Olinda recebeu esse nome em homenagem a Pedro de Araújo Lima, que detinha o título de Marquês de Olinda e exerceu importantes funções no Império, como Ministro, Regente e Presidente do Conselho de Estado.

Não se tratava de um navio da Marinha Imperial, mas de um vapor mercante destinado à navegação nos rios Paraná e Paraguai. Possuía casco de madeira e era impulsionado por rodas laterais. Seu pequeno calado o tornava adequado à navegação fluvial. Tinha um deslocamento de 180 toneladas e motor de 80 HP.

Entre os anos de 1860 e 1862, operou sob as companhias Bernal & Cárrega e, posteriormente, sob G. Matti & Cia., realizando a rota entre Buenos Aires e Corumbá, sob o comando de José Berisso. Efetuava escalas em San Nicolás de los Arroyos, Rosário, Paraná, Corrientes e Assunção. No rio da Prata, alcançava também Montevidéu, transportando exclusivamente passageiros.

Em 1863, sob o comando de Hipólito Betancour, a rota foi estendida até a cidade de Cuiabá, distante aproximadamente 660 km de Corumbá, perfazendo um percurso total de cerca de 3.000 km.

O Marquês de Olinda foi capturado pelo governo paraguaio em 12 de novembro de 1864, quando subia o rio Paraguai conduzindo o coronel Frederico Carneiro de Campos, presidente da Província de Mato Grosso. O episódio é considerado o primeiro ato de hostilidade do conflito que viria a ser conhecido como Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança.

A captura do navio, seguida do ataque ao Forte de Coimbra e da invasão do território mato-grossense em janeiro de 1865, motivou a declaração de guerra do Império do Brasil ao Paraguai.

Após a captura, o vapor foi transformado em embarcação de guerra nos arsenais de Assunção, recebendo armamento composto por oito canhões.

Em 11 de junho de 1865, o Marquês de Olinda integrou a esquadra paraguaia durante a Batalha Naval do Riachuelo, onde foi abalroado e afundado pela fragata brasileira Amazonas.

À época de sua apreensão, o Marquês de Olinda preparava-se para iniciar sua viagem regular com destino a Mato Grosso. O agente uruguaio Souto havia informado ao presidente Francisco Solano López que o vapor de guerra brasileiro Amazonas acompanharia o Marquês de Olinda, transportando armamentos, valores e importantes autoridades, incluindo um engenheiro militar e o novo governador da província.

Souto comunicou essas informações a López, aconselhando-o a se apoderar das embarcações. A correspondência, na qual a captura era sugerida, foi enviada ao presidente paraguaio por meio do próprio Marquês de Olinda.

O plano de envio do Amazonas foi posteriormente abandonado, e o Marquês de Olinda iniciou sozinho a viagem. O trajeto transcorreu normalmente até o dia 11 de novembro de 1864, quando o navio deixou o porto de Assunção, sendo capturado no dia seguinte pelas forças paraguaias.

A Canhoneira Paraguaia Tacuari apreende o navio brasileiro Marquês de Olinda

A Canhoneira Paraguaia Tacuari possuía um deslocamento de 488 toneladas e dois motores de 180 hp, que lhe proporcionavam uma velocidade de 16 nós. Estava armada com seis canhões Whitworth — dois de 60, dois de 32 e dois de 8 mm. O navio liderou parte das forças paraguaias durante a Batalha do Riachuelo. Sobreviveu ao combate, mas foi posteriormente afundado por navios brasileiros no encontro dos rios Guaycurú e Paraguai, em 1865.

A Tacuari, construída na Inglaterra em 1854, no estaleiro “John e Alfred Blyth”, foi adquirida no mesmo ano pelo governo de Carlos Antonio López. Em 12 de novembro de 1864, sob o comando do Capitão George F. Morice — de origem inglesa e também autor do plano de organização básica da Marinha de Guerra Paraguaia —, a canhoneira apreendeu o navio brasileiro Marquês de Olinda, que navegava pelo rio Paraguai em direção à província de Mato Grosso.

Pouco tempo depois, em 13 de dezembro de 1864, o Paraguai declarava guerra ao Brasil. Três meses mais tarde, em 18 de março de 1865, estendia a declaração de guerra à Argentina. O Uruguai, por sua vez, solidarizou-se com Brasil e Argentina, formando a Tríplice Aliança.

Em 1864, o coronel Frederico de Campos foi indicado para o cargo de Presidente da Província de Mato Grosso. Para tomar posse, embarcou no navio mercante imperial Marquês de Olinda, seguindo o trajeto usual da época: partindo do sul do Brasil, passando pelo Uruguai e adentrando o estuário do Rio da Prata, para então subir o rio Paraná e, em seguida, o rio Paraguai.

Ao passar por Assunção, foi recebido solenemente pelo presidente paraguaio Francisco Solano López. Entretanto, poucos dias depois, em 12 de novembro de 1864, o navio foi interceptado e aprisionado por forças paraguaias, juntamente com toda a tripulação e passageiros, marcando o primeiro ato de hostilidade oficial entre Paraguai e Brasil.

Cel. Frederico Carneiro de Campos.

Diário do Rio de Jan 15 Set de 1869.

“Prisioneiros de Guerra na Campanha do Paraguai (1864–1870)”

*¹ – Graduação militar superior a cabo e inferior a sargento.
*² – Graduação de praça compreendida entre marinheiro/soldado e cabo.
*³ – As fortificações de Lomas Valentinas localizavam-se na margem direita do arroio Piquissiri, afluente do rio Paraguai, em território paraguaio.
No contexto da Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870), o corte das comunicações com a Fortaleza de Humaitá levou ao seu subsequente abandono pelas forças paraguaias, que se retiraram em julho de 1868.
Francisco Solano López estabeleceu, então, um novo quartel-general em Lomas Valentinas, fortificando essa posição. O local foi alcançado e conquistado, em sucessivos assaltos, entre 22 e 27 de dezembro de 1868, pelas forças aliadas, que avançavam rumo à capital paraguaia, Assunção — episódio conhecido como Campanha da Dezembrada.
*⁴ – Linhas de Sauce: uma das grandes trincheiras da Guerra do Paraguai.
*⁵ – Luque: cidade próxima a Assunção, para onde Solano López evacuou a população da capital.

Hamilton F Sampaio Junior.

Biografia:

O Cruzeiro 06 Set 1954

PROBER, K. Achegas para a Historia da Maçonaria Paranaense
Ed. Príncipes Gráficas e Ed.Ltda.
Rio de Janeiro, 1986

Hercule Spoladore Historia da Maçonaria Paranaense no Século XIX

Anais do Museu Histórico Nacional Rio de Janeiro

Jornal Folha de Imbituva

Hemeroteca –Gustavo Barroso “A Bandeira do Marques de Olinda”

APOSTILA DE
HISTORIA DA PMPR COMPLET

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