Comendador Manoel Ricardo Carneiro nasceu em 2 de fevereiro de 1830 em Paranaguá, filho de Anna Maria Carneiro e José Ricardo Carneiro, casou-se primeiramente com Lucia Guimarães Carneiro e, a mesma faleceu em 1888 com 50 anos, em seguida teve como segunda esposa sua cunhada Delphica Guimarães Carneiro Delphica Guimarães Carneiro nasceu em 24 de abril de 1841, em Paranaguá, Paraná, Brasil, seu pai, Manoel, tinha 28 anos e, sua mãe Maria tinha 20.
Delphica teve um filho com José Mathias Gonçalves Guimarães e dois filhos com o Comendador Manoel Ricardo Carneiro. Ela faleceu em 6 de setembro 1933, em Niterói, Rio de Janeiro com a idade de 92 anos.
O Comendador Manoel Ricardo Carneiro foi um grande homem de seu tempo, foi Inspetor do Tesouro Provincial, Diretor da Biblioteca Pública do Paraná e Tesoureiro da Alfandega de Santos, foi pai de outro ilustre paranaense Dr. Abdon Petit Carneiro.
Participou ativamente do evento do “Cormorant” ocorrido em junho de 1850, foi um dos 26 jovens que rumaram para a Fortaleza e bombardearam o Navio Inglês.
Entre 1854 e 1857 Manoel Ricardo declarou-se no censo como possuidor de imóvel em Paranaguá.
Em 1860 recepcionou em seu solar uma das comissões de astrônomos nacionais e estrangeiros que vieram para Paranaguá observar o eclipse total do sol neste mesmo ano.
No ano de 1860 foi o segundo vereador mais votado na cidade de Paranaguá.
Sabemos que Manoel tinha propriedade no primeiro quarteirão, registro este encontrado nas listas de votantes da Matriz de Paranaguá do ano de 1861.
Listas de Votantes da Igreja Matriz de Paranaguá para o ano de 1861.
Em 1861 ocupou a função de subdelegado de polícia de Paranaguá.
Em 1867 ocupou o consulado da Argentina para a cidade de Paranaguá.
Em 1868 foi eleito Secretário da Junta Conservadora da cidade de Paranaguá.
Foi eleito Vereador novamente em 1868.
Em 1869 foi promovido a Major da 1° seção do Batalhão de Artilharia da Guarda Nacional desta província.
Ainda em 1869 assumiu o comando da Guarda Nacional em Paranaguá.
Ainda em 1869 foi eleito vereador e Juiz de Paz.
Em 1872 participou da “Comissão Censitária” formada pela Tesouraria geral da Fazenda.
Ainda em 1872 nos informa o dezenove de dezembro que finalizaram as obras na Fortaleza da Barra, contratadas pela tesouraria da fazenda.
Em 1872 foi gerente da Companhia Progressista
Em 1874 foi designado a participar de uma comissão para a Feira da Philadelphia.
No ano de 1875 recebia a Comenda do Rosa no Grau de Cavalheiro.
Quando em maio de 1880 sobre a Visita de Dom Pedro II ao Paraná, recebeu-o em um dos barcos como Presidente da Câmara de Paranaguá.
“SS. M M . II pisaram, enfim no solo paranaense, às 6 e meia da tarde, e PARANAGUÁ, grandemente honrada, os recebeu com carinho.
Os habitantes da Cidade (para mais de 2.500 pessoas) achavam-se aglomerados em toda a extensão do cais, ovacionando os Imperadores.
Foi uma recepção condigna e muito sugestiva. Estavam presentes 21 garotas, de branco e com faixas a tiracolo, trazendo os nomes dos 21 municípios que tinha o Paraná naquela época.
Elas, no desembarque dos Monarcas, espargiram flores sobre os augustos soberanos. Cena muito bonita.
A Câmara Municipal, incorporada, deu-lhes as boas vindas, entregando, nessa ocasião, as \”chaves da Cidade\”.
Terminadas as saudações e os cumprimentos, os Imperadores seguiram, com sua comitiva, autoridades e povo, pela rua da Praia, subindo a rua Ipiranga (hoje Mal. Alberto de Abreu) até a esquina da Capela do Bom Jesus; entrando na rua Direita, até a Matriz, onde foi celebrado um \”Te Deum\” em ação de graças pela boa viagem que fizeram.
Grande foi o entusiasmo durante o trajeto, pois, além da honra, era um caso inédito essa visita imperial. Viam-se flores no leito das ruas. Nas janelas das melhores residências, ricas colchas e tapetes, enfeitando-as. Luminárias também nos principais edifícios (era a moda da época).
Terminada a função religiosa, seguiu o cortejo até ao palácio do Barão de Nacar, luxuosamente preparado para hospedar os Monarcas e sua comitiva.
Nessa noite foi servido um banquete a S S . M M . I I , sua comitiva, algumas autoridades e aos parentes do Barão de Nacar.
Nesse grande jantar, o jornalista Ernesto Matoso, redator do \”Cruzeiro\”, em seus apontamentos, relata o seguinte episódio:
\”Após o jantar em casa do Barão de Nacar; jantar esse em que éramos cento e poucas pessoas à mesa; por ocasião da \”champanha\”, o Barão brindando os seus augustos hospedes, fez notar ao Imperador que, das cento e tantas pessoas presentes ao banquete, exceção feita de SS. MM . e sua comitiva, bem como algumas autoridades, as demais eram seus filhos, noras, genros e netos\”.
Nesse mesmo jantar, D. Pedro II, em palestra com o Presidente da Câmara Manoel Ricardo Carneiro que era genro do Barão de Nacar, falou sobre o incidente do \”Cormorant\’ e perguntou-lhe:
O senhor foi um do grupo dos \”26 paranaguaras\” que se arrojaram a combater o cruzador \”Cormorant\”?
Tenho essa honra, respondeu calmamente o velho Ricardo Carneiro, e V. Majestade há de convir em que não me poderia furtar de tomar parte nela, como um brasileiro que me prezo de ser.
Pois saiba, replicou o Imperador, que esse incidente me causou muitas dores de cabeça, muitas preocupações e desassossegos.
Faço idéia! . . . retrucou o patriota paranaguara sorrindo.
Mas V. Majestade por certo faria o mesmo se aqui estivesse.
D. PEDRO não contestou essa afirmativa. Pelo contrário, apreciou bastante a firmeza de caráter de Manoel Ricardo Carneiro.
E tanto é verdade que, meses depois, esse cidadão, Presidente da Câmara, recebia o título de \”Comendador da Rosa\”!
Muito agradou ao Monarca o seguinte edital do Legislativo:
\”A Câmara Municipal desta Cidade de Paranaguá, faz saber aos habitantes do seu Município que, em comemoração da visita de S S. M M. I I a esta Cidade, se denominem: \”Rua da IMPERAT R I Z \”, à antiga rua Direita e, \”Rua do IMPERADOR\”, à atual Rua Paissandú; ficando a rua Rosa denominada Rua Paissandú. Do que, para constar, mandei lavrar o presente, que será afixado e publicado pela imprensa.
Paço da Câmara Municipal de Paranaguá, em sessão extraordinária\”.
Manoel Ricardo Carneiro
Presidente
São episódios que jamais se esquecem…
Em dezembro de 1880 participou da Comissão formada para arrecadar fundos para a construção do Cemitério Municipal.
No ano de 1885 ainda permanecia como Gerente da Companhia Progressista.
Em 1886 foi Presidente do Clube Literário de Paranaguá, conforme consta no Livro do Centenário do mesmo.
Clube Literário de Paranaguá de Anibal Ribeiro Filho pág. 310
Clube Literário de Paranaguá de Anibal Ribeiro Filho pág. 327.
Em 1887 foi Presidente da Câmara Municipal de Paranaguá gestão 1887-1880.
Em 1897 já aparece na alfandega de Santos.
Em 25 de Novembro de 1900 faleceu em Paranaguá
Hamilton Ferreira Sampaio Junior
Referências:
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LUIZA GONÇALVES BARACHO, MARIA. ESTRUTURA FUNDIÁRIA DE PARANAGUÁ: 1850 – 1900: ESTRUTURA FUNDIÁRIA DE PARANAGUÁ: 1850 – 1900. Orientador: Prof Dra Odah Regina Guimarães Costa. 1995. 340 f. Dissertação de Mestrado (Pós Graduação em História do Brasil) – UFPR, Curitiba, 1995.
Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá
Biblioteca Nacional
Instituto Moises Soares http://msinstituto.blogspot.com/
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My Heritage
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Arquivo Público do Paraná BR PRAPPR PB001 IIP787.57.
Wikipédia
TJPR-Catalogação dos Processos de Paranaguá (1711 – 1991).
https://www.ancestry.com/family-tree/person/tree/169053683/person/152191328802/facts